segunda-feira, 16 de maio de 2016

Especificidade EJA

Organização escolar para atender o EJA



     O EJA é um espaço que atende crianças e adolescentes no período diurno e no período noturno é "emprestado" o espaço para os estudos dos jovens e adultos, o problema é que nem todos os jovens e adultos possuem tempo livro para estudar.

     A uma grande diversidade de idade no EJA, pois a população brasileira possui um grande índice de pessoas que não concluíram o ensino básico.

     Porém, como o espaço é "emprestado" ao fazerem suas atividades e/ou ao termino da aula, os alunos (adultos) devem limpar todo o ambiente, mantendo-o sempre limpo e organizado para as crianças do período diurno. O que é um absurdo, o cúmulo já que a educação é um direito de todos os cidadãos.

domingo, 15 de maio de 2016

A organização do Tempo Pedagógico no Trabalho Docente: Entre o Prescrito e o Realizado.

A Ordenação do Tempo Escolar


     O tempo escolar é institucional, organizativo e é fato cultural, como tal resulta de uma construção histórica. 

     O tempo escolar, tal como ocorre hoje nas escolas, ou seja, com a distribuição de conteúdos, matérias e atividades durante o ano letivo e o estabelecimento de horários, é o fruto de mudanças das concepções de educação escolar e das reformas educacionais.

     Embora os tempos escolares tenham sido definidos pelo currículo nacional  único e pela legislação, as discussões em torno dessa dimensão importante no trabalho educativo ganharam relevância no início do século XXI.

     Essas discussões trazem elementos para a reflexão sobre a sequencia temporal que orienta a organização do trabalho escolar, as diferentes formas pelas quais passou e tem passado, bem como suas múltiplas temporalidades, seus usos e significados.

     A organização do tempo escolar caminha junto com a institucionalização da escola pública e ganha a legitimação de ritmos e tempos sob o controle do Estado.

     A prescrição do tempo por meio de calendários, rotinas, programas e projetos na escola tem como foco as práticas escolares, atividade principal da organização do ensino. 

      

A arquitetura escolar

A arquitetura escolar e os diferentes espaço formativo da escola


     A importância da arquitetura escolar e a história da evolução dos prédios escolares perpassam o próprio desenvolvimento da educação brasileira, além de revelarem as simbologias e os aspectos culturais de diferentes momentos históricos.


     Nos embates e reflexões sobre questões educacionais nos últimos anos, a qualidade da educação tornou-se tema recorrente, indispensável, o que evidencia a necessidade de analisar as deficiências na busca por minimizá-las.


     Diante da importância da educação para o desenvolvimento de um país, e levando em conta a necessidade de condições adequadas para que esta seja planejada e exercida, tem-se a arquitetura escolar como fator fundamental, que deve ser pensado visando ao beneficiamento das condições de ensino.


     A arquitetura escolar é um importante ramo de estudo para a compreensão da história e evolução das edificações escolares e para o entendimento do valor atribuído à educação no Brasil.  Por serem portadores de significados múltiplos, a arquitetura e o espaço escolar têm se constituído nos últimos anos em promissoras vertentes investigativas. Neste sentido, sob a ótica da Psicologia Ambiental, este trabalho se propõe a dialogar sobre como o espaço da sala de aula pode influenciar o processo de ensino-aprendizagem. 


     Para situar a arquitetura escolar nos diferentes tempos históticos,  pesquise em livros ou na internet fotos de prédios escolares no Brasil (como os da imagem abaixo) e tente expressar em plantas e palavras sua reação diante das diferentes realidades.


     No Brasil Colônia são prédios de colégios religiosos, alguns transformados hoje, em Museus. No século XIX, temos os antigos prédios de Liceus e Ateneus públicos ou privados nas capitais e internatos religiosos, muitos transformados hoje em faculdades privadas. Na primeira década do século XX, focalize as Escolas Normais ou Institutos de Educação. 


     De 1950 em diante, existe grande variedade de prédios públicos e privados, de escolas onde se oferecem as diversas etapas e modalidades de educação. No caso do Brasil, muitos prédios foram ocupados para a expansão da escola pública, nem sempre desenhados especificamente para fins pedagógicos. 







Os diferentes  espaço formativos da escola


     Para refletirmos juntos sobre os diferentes espaços para ação docente temos que considerar, em princípio, alguns aspectos ligados às novas demandas educacionais, resultantes do avanço dos processos econômico.


     A todo momento somos alertados para a necessidade de uma de atualização profissional constante. Profissionais de todos os setores são convidados a se colocarem em dia com os avanços em suas respectivas áreas de intervenção.

      O professor, como profissional que é, também não pode ficar alheio essa tendência e precisa procurar maneiras de estabelecer sistemáticas de atualização em seu campo profissional, sob pena de se ver defasado, inadequado para sua tarefa especifica, que é organizar situações de aprendizagem para que o aluno se aproprie do saber historicamente acumulado.


     As justificativas para essa busca incessante de conhecimento e competência são estabelecidas por fatores vários, dos quais arrolamos abaixo os mais importantes, a nosso ver.




Espaço e Currículo

        A própria palavra que alguns educadores calvinistas do final do século XVI utilizaram para designar uma seqüência de estudos —curriculum— remete para o caráter espacial desse artefato escolar: entre os romanos, curriculum era o espaço ou a pista de corrida na qual os atletas entravam em competição. Como bem demonstrou Hamilton (1992), o uso escolar de curriculum refletiu, desde o início, uma preocupação tanto com a coerência estrutural (disciplinar), quanto com a sequenciação (ordem/ordenamento) dos estudos, de modo a impor um maior, mais sistemático e mais impessoal controle ao funcionamento da educação escolarizada. Nesse sentido, esse construto coloca-se a serviço do movimento de ordenamento que, então, se expandia pela Europa; ou, para usar as palavras de Foucault, a serviço da episteme clássica da ordem e da representação. 

        Neste ponto, podemos fazer uma pergunta bem direta: além da denotação espacial da palavra usada por aqueles educadores calvinistas, existe algum outro vínculo direto e, digamos, mais profundo, entre currículo e espaço? 


        Para dar uma resposta satisfatória a essa pergunta, é preciso mencionar a ruptura epistemológica que ocorreu na primeira metade do século XVI —à qual denominei virada disciplinar (Veiga-Neto, 1996)— e para a qual contribuíram alguns intelectuais da época, especialmente Juan-Luis Vives. Conforme descrevi e argumentei pormenorizadamente, o seu clássico —ainda que hoje pouco conhecido— De disciplinis rompe com a disposição antiga e medieval dos saberes —doTrivium e Quadrivium—, estável e monótona, e propõe uma nova disposição: disciplinar, mutável, dinâmica. Uma nova disposição mais de acordo com um mundo que se expandia (geograficamente) e com uma espacialização (astronômica, cultural, epistemológica, etc.) que, como já referi, se abria para o infinito. Para Santidrián (1995, p.17), a obra de Vives objetiva "desmontar praticamente toda a cultura medieval, cujo esquecimento e desprezo parecem radicais", de modo a abrir os espaços do pensamento humano ao infinito, tanto horizontal quanto verticalmente: "horizontalmente, em novos campos de conhecimento; verticalmente, em cada vez menores subdivisões numa dada linha hierárquica que vai do mais geral para o cada vez mais particular" (Veiga-Neto, 1996, p.228). 


        Assim, essa nova disposição disciplinar dos saberes correspondeu —e pretendeu dar uma resposta satisfatória— à nova concepção espacial do mundo —infinito e contínuo—, que se engendrava nos primórdios da Modernidade. Não mais um mundo medieval, dividido e descontínuo —entre o dentro e o fora da cidade; entre o sagrado e o profano; entre o supra e o infra-lunar; entre o Trivium e o Quadrivium—, heterogêneo, fechado, finito; mas um novo mundo, agora contínuo, homogêneo, aberto e infinito.


        Se o Trivium e o Quadrivium eram pensados como uma divisão prática dos saberes, com a virada disciplinar as novas disciplinas passam a ser entendidas como uma representação de uma realidade mais profunda, uma representação da própria natureza do mundo, a manifestação de uma ontologia que lhes é anterior. É bem por isso que elas tornam-se tão centrais para o currículo. Na medida em que o currículo, como já referi, foi idealizado como um artefato capaz de colocar uma ordem comum na educação escolarizada, de que outro elemento se dispunha, então, com tamanha capacidade de representar o que se pensava ser a realidade do mundo? Que outro elemento poderia, ao mesmo tempo, tornar duplamente manifesta uma ontologia e ser operável em termos práticos e organizacionais?


        Pode-se dizer, então, que o currículo é um dispositivo envolvido com a resinificação do espaço, na medida em que ele é pensado e funciona como uma estrutura classificatório-disciplinar. E por ser uma estrutura, o currículo estrutura, isso é, é um estruturante; por ser uma estrutura disciplinar, o currículo é um estruturante disciplinar. Em conseqüência, ele gera, no amplo âmbito em que atua, o entendimento não apenas de que os saberes têm (naturalmente) uma distribuição disciplinar que é espacial, mas também de que o próprio mundo tem essa, e apenas essa, espacialidade.

 
        Enquanto dispositivo, o currículo tem operadores através dos quais ele se coloca em movimento e vai dispondo ordenações minuciosas na maquinaria escolar. Alguns desses operadores estão particularmente envolvidos com a construção da espacialidade moderna. Esse é o caso dos calendários, dos cronogramas e, principalmente, dos horários escolares. Vejamos alguns detalhes sobre esses últimos.


        Dizer que os horários escolares ensinam um tipo de percepção e de usos do tempo é uma trivialidade. O que quero argumentar, aqui, é que eles estão também ensinam um tipo de percepção e de uso do espaço, um tipo de propriedade e abrangência simbólica do espaço, além de propiciarem uma conexão entre tempo e espaço.



sábado, 14 de maio de 2016

Organização Escolar por Alternância

     A Pedagogia da Alternância consiste em uma Metodologia de Organização do ensino escolar de diferentes experiências formativas distribuídas ao longo de tempos e Espaços Distintos, tem como finalidade uma formação profissional. Esse Método começou a Tomar forma em 1935 a Partir das insatisfações de um pequeno grupo de Agricultores Franceses com o Sistema Educacional de seu País, o como especificidades da Educação para o Meio rural. Uma Experiência brasileira a Pedagogia da alternância começou em 1969 no estado do Espírito Santo, onde foram construídas as três primeiras Escolas Famílias Agrícolas. Essa Proposta pedagógica ainda é discutida com pouca ênfase em nosso meio Acadêmico. A Pedagogia da alternância atribui grande importância à Articulação entre momentos de Atividade no meio sócio profissional do Jovens e momentos de atividade escolar propriamente dita, nos quais se focaliza o Conhecimento Acumulado, considerando sempre como Experiências concretas dos educandos. Por isso, além das disciplinas Escolares Básicas, a Educação nesse contexto engloba temáticas relativas à vida associativa e comunitária,  ao meio ambiente e à Formação integrante no Meio Profissional, Social, Político e Econômico (Gimonet, 1999; Estevam, 2003; Silva, 2005 ; Begnami, 2006). A Pedagogia alternativa se caracteriza por alternar a formação do aluno entre momentos no ambiente escolar e momentos  no ambiente familiar / comunitário. A proposta é desenvolver um processo de ensino de aprendizagem continua, em que o aluno percorre o trajeto propriedade.

A Escola e a Questão Ambiental

     A questão ambiental na escola é  importante para o desenvolvimento da educação, principalmente a infantil, as características cognitivas, físicas, linguísticas, motoras, sociais e emocionais ocorrem desde o nascimento até a adolescência. Os conteúdos estudados se aplicam ao estudo do corpo humano, a Natureza, a saúde, classificação dos seres vivos e a conservação dos recursos naturais. Os assuntos abordados são de interesse de toda a sociedade brasileira, devido à riqueza da sua fauna e flora e também pela necessidade da melhoria da qualidade de vida. O Brasil é um país que tem vários ecossistemas e uma grande biodiversidade de seres vivos, mas que estão seriamente ameaçados pela poluição, pela caça predatória, pelo desmatamento e pelo tráfico de animais. A escola é o local mais adequado para o desenvolvimento de habilidades e competências do indivíduo. É na escola que a criança vai ter contato com conteúdos diversos nas áreas de humanas, biológicas e exatas, além de desenvolver o convívio social com outros alunos e com os educadores.
                                     


A Educação ambiental é um tema moderno, cujo objetivo é formar cidadãos conscientes de suas responsabilidades com o meio ambiente em que vivem, preservando a qualidade de vida da sua comunidade e, ao mesmo tempo, gerenciando as atividades conservacionistas que favoreçam a sobrevivência das futuras gerações. Segundo Sídio, Machado (2003, p.468), "com base na educação ambiental, a ecologia estuda o modo como o indivíduo e a sociedade humana se relaciona com o ambiente". Segundo a Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996, no artigo 32, cita que o ensino fundamental "terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade". A nova diretriz da educação brasileira surgiu para democratizar o ensino nos seus vários níveis. Valoriza a educação como dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade.

terça-feira, 10 de maio de 2016

O espaço físico e sua relação no desenvolvimento e na aprendizagem da criança.

O desenvolvimento e a aprendizagem da criança.



     Buscando uma perspectiva de sucesso para o desenvolvimento e aprendizagem do educando no contexto da educação infantil o espaço físico torna-se um elemento indispensável a ser observado. A organização deste espaço deve ser pensada tendo como principio oferecer um lugar acolhedor e prazeroso para a criança, isto é, um lugar onde as crianças possam brincar criar e recriar suas brincadeiras sentindo-se assim estimuladas e independentes. Diferentes ambientes se constituem dentro de um espaço.


     O espaço criado para a criança deverá estar organizado de acordo com a faixa etária da criança, isto é, propondo desafios cognitivos e motores que a farão avançar no desenvolvimento de suas potencialidades. O espaço deve estar povoado de objetos que retratem a cultura e o meio social em que a criança está inserida.

     Reconhecendo que a criança é fortemente marcada pelo meio social em que se desenvolve, e que também deixa suas próprias marcas neste meio, que tem a sua família como o seu principal referencial, apesar de todas as relações que ocorrem em todos os níveis sociais, o espaço infantil deve priorizar remeter a história da criança para o seu contexto e através disto promover a troca de saberes entre as crianças. Segundo o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (1998, vol 1, p. 21-22): “as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade, mas sim, fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação”. As interações que ocorrem dentro dos espaços são de grande influência no desenvolvimento e aprendizagem da criança. 

     O educador não deve ser visto como figura central do processo de ensino aprendizagem, mas sim como alguém mais experiente que aprende e permite ao educando aprender de forma mais lúdica possível. Devemos destruir a crença de que a criança só aprende se um professor ensinar, e de que só o professor é responsável pelo desenvolvimento de todas as potencialidades da criança. A criança através do meio cultural, da suas interações com o meio seja em um trabalho individual ou coletivo é a verdadeira construtora do seu conhecimento.


     Os espaços construídos para criança e com a criança devem ser explorados pela mesma, em uma relação de interação total, de aprendizagem, de troca de saberes entre os pares, de liberdade de ir e vir, de prazer, de individualidades, de partilhas, enfim, de se divertir aprendendo. 



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Espaços Formativo da Escola

Estrutura Social da Escola. 

     Os espaço escolares são espaços pedagógicos, não basta ser só um prédio limpo e bem planejado, é preciso organização onde as relações humanas e o estímulo para buscar o conhecimento de cada um.


     É importante organizar o pátio da escola para receber os alunos, ter uma Estrutura Social disponibilizando brinquedos e jogos, criando novas situações de aprendizagem de forma lúdica, onde os aluno encontre motivos para estar ali e participar da maneira ativa, dinâmica, construindo seu aprendizado, pois, uma sociedade só é de fato democrática quando os cidadãos que dela fazem parte são em primeiro lugar alfabetizados, reflexivos, com condições reais de exercerem sua participação e cidadania, conhecendo seus direitos e deveres; e o caminho a ser seguido para chegar a esse conteúdo, que é um processo educativo verdadeiramente funcional.

     Professores e a alunos podem organizar seus espaços pois aprendizagem não ocorre somente dentro da sala de aula, mas em todos os ambientes da escola buscando maneiras de fazer um processo educativo de boa qualidade em equipe referindo Professores, Gestores, Alunos, Comunidade e a Família para ter melhores resultados da função Social da Escola. 

A importância da organização do espaço escolar

O espaço escolar em sala de aula


     É na interação que o sujeito aprende e ensina. Daí, podemos depreender a importância de se organizar o espaço escolar, mais especificamente o da sala de aula, para receber os alunos e proporcionar que haja meios de garantir esse estreitamento de vínculo. Conforme nos fala OLIVEIRA (1997), em seus estudos sobre o pensamento de VIGOTSKY:


     A interação face a face entre indivíduos particulares desempenha
um papel fundamental na construção do ser humano: é através da relação
interpessoal concreta com outros homens que o indivíduo vai chegar a
interiorizar as formas culturalmente estabelecidas de funcionamento
psicológico





     A vida social ocorre de maneira dinâmica, onde cada sujeito participa ativamente de seu meio estabelecendo uma relação entre o mundo cultural e o mundo interno de cada um. O conhecimento a respeito de todo esse universo cultural e particular se dá através das interações estabelecidas entre os indivíduos no meio social em que participam.


     Temos então que a maneira como é organizado o espaço em sala de aula reflete diretamente em como se dá essa interação e o trabalho pedagógico docente como um todo. É importante que a organização priorize aspectos indispensáveis para a construção da aprendizagem, tais como vivência da prática do diálogo entre
os indivíduos envolvidos neste processo.

     Para qualquer finalidade, é necessário que ambiente seja acolhedor e que motive a troca entre os alunos e professores, mas dependendo da situação específica, o espaço pode ser organizado de maneira diferente para atender a necessidade de forma mais pontual. Por exemplo, num momento de debate entre toda a turma, é interessante que as carteiras estejam dispostas em círculos para que todos possam olhar uns para os outros e terem a sua vez de expor seus pontos de vista. Deste modo, o debate fica mais face a face e a compreensão da ideia é favorecida já que é possível reconhecer no outro as expressões faciais, além da própria fala em si.




     Para a realização de atividades vivenciais é preciso uma adequada organização dos ambientes de estudo.

     Se o que se quer é favorecer o trabalho participativo e criativo dos alunos é preciso organizar o ambiente, móveis, mesas e cadeiras, dentre outros recursos, de modo que as atividades a serem desenvolvidas pelos grupos sejam implementadas de forma adequada, propiciando maior interatividade entre os sujeitos e entre eles e as mídias, cenários favoráveis para a construção de novos conhecimentos.



     Normalmente encontramos salas de aula estruturadas nos moldes tradicionais: carteiras ou cadeiras com braços, dispostas lado a lado na sala de aula, voltadas, é claro (...), para a lousa.

     A distribuição dos móveis nas salas de aula tradicionais segue geralmente o esquema apresentado a seguir:


Sabemos que a organização do espaço interior das salas de aula, apresentada no esquema anterior, reflete, sobremaneira, os paradigmas que embalaram, e ainda continuam embalando, uma educação calcada na massificação do ensino e disseminação da informação nem sempre social e politicamente contextualizada. É, por assim dizer, a escola da multiplicação: 1 para 40, 50 ou 100 – professor, alunos! Acredita-se que o conhecimento é “algo que pode e se deve passar”, daquele que sabe mais, para aquele que menos sabe... Eis o porque desta configuração arquitetônica da sala de aula.



     No entanto, se quisermos desenvolver vivências que permitam valorizar as dinâmicas de grupo, equipes de trabalho, devemos reorganizar o ambiente utilizando os recursos de que dispomos. Nem sempre é viável, de pronto, um investimento dedicado a uma nova arquitetura do ambiente escolar; então teremos de usar criatividade e, com a ajuda dos alunos e cooperação dos gestores da escola, improvisar o novo ambiente.



     A título de exemplo vamos apresentar uma nova configuração para a sala de aula que venha a propiciar um tipo de vivência diferenciada entre os estudantes e entre estes e o professor. Observemos o esquema a seguir:



     Cadeiras para cá, carteirinhas para lá, mesa reposicionada e pronto! Cada retângulo representa a aproximação de 3 a 4 alunos formando uma equipe de trabalho.



     Como podemos observar, através do segundo esquema, na nova configuração apresentada os alunos podem trabalhar em grupo e o professor realizar melhor sua ação, como mediador do processo, saindo da ingrata, infrutífera e desgastante posição centralizadora que normalmente ocupa perante os alunos.



     Sobre as novas bancadas criativas, nascidas da reorganização da sala, poderão ser disponibilizadas mídias de estudo. Um jornal ou revista, um globo terrestre, um microscópio, um plano inclinado, massa para modelar etc., poderão fazer parte do conjunto de mídias de apoio à educação. Até mesmo a mesa do professor, como podemos notar, sofreu uma alteração funcional servindo melhor como “mesa de apoio às atividades realizadas”, suportando o material complementar utilizado e outros recursos disponíveis.



     Do mesmo modo, sempre que a necessidade o exigir, o professor poderá reorganizar novamente o ambiente, momentos em que uma apresentação expositiva mais geral ou específica puder enriquecer a ação pedagógica dentro do qual vem se desenvolvendo um determinado processo. Isto significa que não estamos, em hipótese nenhuma, propondo abolir aulas expositivas, e sim torná-las efetivas nos momentos em que, de fato, puderem contribuir para o enriquecimento educacional dos estudantes, valorizando ainda mais o trabalho essencial do professor.



     Certamente que havendo a possibilidade de implementar uma Sala Vivencial a partir de um projeto arquitetônico inicial, em muito se ganharia em qualidade e dedicação do espaço tendo em vista as ações educacionais e pedagógicas a serem desenvolvidas. Mas, de qualquer modo, é praticamente imediato perceber que a mudança na organização das carteiras ou mesas já cria um outro ambiente de trabalho, propiciando uma nova e mais rica forma de relacionamento aluno-aluno e aluno-professor.



     Diante da perspectiva apresentada, repensar os processos pedagógicos é também repensar e criar uma nova arquitetura, dedicada a ambientes educacionais, formais e informais.

sábado, 7 de maio de 2016

A importância da Integração Curricular

Quando se pensou em inovar em relação ao uso do tempo escolar buscou-se referenciais na história do tempo e do espaço escolar no Brasil. Verificou-se, então, que não são muitas as inovações realizadas, especialmente no que se refere à organização e distribuição do horário escolar. Por esta razão, após anos de experiência prática no trabalho com a organização do horário escolar e com a disposição das aulas de forma semanal e verificando que, a cada ano que passa, perde-se muito tempo entre a entrada de um professor e a saída de outro nas turmas, além de perceber que o tempo em sala de aula é, por vezes, mal aproveitado, passou-se a buscar uma forma de resolver essas questões, propondo-se à comunidade escolar um projeto inovador na organização do horário escolar. Um horário mais organizado e inovador deve considerar os estudos contidos no currículo escolar e a forma de discussão, com relação ao novo horário, deve se dar sempre que a equipe pedagógica, os alunos e professores julguem necessário. Nesse horário, o planejamento é ajustado diariamente às necessidades que se apresentam, o que o converte na oposição do horário tradicional propriamente dito. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Os tempos escolares

Escola de tempo integral


      Ministério da Educação define escolas de tempo integral como aquelas que ofertam, no mínimo, 7 horas para atividades de ensino e aprendizagem. No entanto, existem experiências com 8, 9 ou até 10 horas de permanência de crianças e adolescentes nas unidades escolares ou em atividades dos programas.

     O êxito ou o fracasso dessas experiências podem estar relacionados às propostas pedagógicas desenvolvidas. Todos reconhecem que mais tempo na escola interfere positivamente na capacidade de aprendizagem das crianças, que têm ritmos e jeitos diferentes de aprender, porque permite que haja um tempo mais apropriado para a interação com os conhecimentos, com os recursos de aprendizagem, com os professores ou educadores sociais e com os colegas.

     Mas, se o aumento do tempo é preponderante para a melhoria da qualidade da educação ofertada, somente a sua ampliação não é suficiente para garantir a aprendizagem. É preciso qualificar esse tempo, oferecendo diversidade de conteúdos, especialmente os ligados à arte, à cultura, às modalidades esportivas e à ludicidade, flexibilizando os tempos e promovendo novos agrupamentos de alunos por meio do trabalho com oficinas e projetos.
     É preciso repensar a escola e a forma como ela se organiza (espaços, tempos, conteúdos), buscando modos mais flexíveis de funcionamento. Igualmente importante é construir metodologias que valorizem a experiência e o protagonismo das crianças e dos adolescentes, tornando a escola mais atraente e mais engajada na comunidade e na sociedade contemporânea.

    O tempo que os professores permanecem na escola também tem que ser repensado, especialmente quando a modalidade de educação integral implantada é do período ampliado dentro da escola. Na medida em que o professor também permanece mais tempo na unidade escolar, ele tem a possibilidade de estabelecer vínculos e maior identidade com o lugar, de conhecer melhor os alunos, a comunidade escolar, o entorno e os colegas de trabalho (funcionários, professores, gestores). Além disso, pode participar do horário coletivo, fazer planejamentos individuais e coletivos, buscar maior articulação entre as disciplinas do núcleo comum e as oficinas e garantir atendimento aos pais e responsáveis.



A Invenção do Tempo Escolar




     No século XV a Europa o relógio representava o passar do dia, no começo ele despertou, muita desconfiança. Ninguém queria depender de uma máquina! A luz natural e sinos dividiam muito claramente o dia e a noite!
     Durante a Idade Média e um pouco da Idade Moderna, os homens costumavam regra o seu tempo por meio de outros referencias. Eles faziam a contagem através dos sinos da igreja e a passagem do tempo acontecia, muitas vezes, através da observação dos fenômenos naturais.
     A vida cotidiana anterior à Revolução Industrial era essencialmente agrária, com forte ligação ao cultivo da terra e à observação da passagem natural do tempo (estações do ano, período de chuva e seca etc.), cujo objetivo era prever períodos de escassez. A industrialização formou os grandes centros urbanos e exigiu uma dinâmica acelerada da vida cotidiana, nunca vista nas sociedades tradicionais. O uso de metais pela indústria pesada (metalúrgicas e siderúrgicas), tais como o ferro, possibilitou a criação de uma diversidade enorme de maquinários.
     A experiência de um cotidiano acelerado também se relaciona com a própria velocidade com a qual se inventam artefatos tecnológicos e, na mesma medida, outros tantos desses artefatos se tornam obsoletos. Podemos citar, por exemplo, dois dispositivos eletrônicos que eram considerados muito avançados há apenas vinte anos e que hoje se mostram ainda mais sofisticados. São eles: o telefone móvel (celular) e o computador pessoal.
     Da década de 1990, esses dois tipos de utensílios eram considerados de acesso limitado, devido ao preço elevado, relacionado ao seu grau de sofisticação. Hoje em dia, temos variações do computador pessoal, como o notebook e o ultrabook, mais leves, portáteis e velozes. Os telefones celulares contam hoje com serviço de internet, câmera fotográfica e filmadora digital, além de alguns outros dispositivos que nos poupam um tempo que seria gasto, por exemplo, se tivéssemos que efetuar uma ligação, em via pública, nos antigos telefones públicos (“orelhões”).


     Hoje em dia já dependemos da tecnologia, praticamente para tudo, e é visível a irritação com a queda da conexão de internet, ilustra a relação que há entre uma experiência acelerada de tempo (acesso rápido à internet) e uma expectativa frustrada que sempre é gerada pela falta imediata dessa facilidade.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A prática pedagógica

O trabalho e a prática docente


     A carreira do professor vai constituindo os saberes sobre sua profissão, o objetivo do trabalho do professor é criar um relacionamento para com o ser humano, que implica e transforma-se através de seu trabalho na sua prática pedagógica.

     Utilizando a abordagem qualitativa para o desenvolvimento do estudo, o espaço maior da aprendizagem para o professor é na sala de aula, que envolve a complexidade pela reflexão constante que a prática exige e o desenvolvimento pelos professores tanto no seu processo de formação para o trabalho, quanto no seu cotidiano de suas atividades que proporciona aos professores uma formação com consciência e sensibilidade social para educa-los como intelectuais e interesses daqueles que estão comprometidos com a educação.

     A compreensão do trabalho docente para o professor, do cotidiano de suas práticas e principalmente de como eles se percebem nessas relações de trabalho, que contribuem para constituição da identidade docente que o levará a refletir sobre seu trabalho e o que ele representa para sociedade.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A configuração histórica da forma escolar

O conceito forma escolar e suas contribuições para a adequação da escola ao público que atende


     O conceito de forma escolar enunciado pelos autores Guy Vincent, Bernardo Lahire e Daniel Thin (2001) nos ajuda a interpretar com mais lucidez a inadequação da oferta de educação escolar na atualidade.

      Levando em consideração tais argumentos, as marcas da permanência da forma escolar consolidadas com a educação moderna são encontradas nos elementos estruturantes da organização da sala de aula: a presença de lousa, giz, caneta, suporte para escrever, alunos enfileirados, sentados em cadeiras, geralmente olhando para a frente e o professor em pé. Essa inadequação pode ser vista em qualquer escola do mundo.



Escola Antiga
Escola Atual

      Para os autores, essa forma é limitada para a  instituição escolar para outras instituições sociais, influenciando os alunos nas demais formas de socialização. Assim, é comum uma criança perguntar algo aos pais e ouvir que ainda não está na hora de saber sobre isso. Quem determinou qual é o momento certo para cada assunto? Qual a influência da escola na definição dos tempos da infância? São indagações que a forma escolar nos coloca. 


      O conceito e a história da forma escolar nos fornecem elementos importantes para debatermos os motivos do fracasso das políticas públicas de escolarização. É importante que os educadores juntamente com toda comunidade escolar possam organizar o tempo e o espaço de forma mais flexível, enfrentando a forma escolar no interior de cada escola.

     Atualmente, na educação brasileira é possível mapearmos algumas importantes experiências que apontam para a possibilidade de transformação da forma escolar, como é o caso das escolas do campo, quilombolas e indígenas que buscam organizar seus calendários e espaços a partir da realidade e cultura locais, evitando assim a evasão e garantindo que a cultura local seja incorporada ao currículo. 


      Muitas escolas estão se adaptando para ter um comprometimento para com os alunos, assim influenciando e garantindo a vontade de aprender de cada um.