segunda-feira, 9 de maio de 2016

A importância da organização do espaço escolar

O espaço escolar em sala de aula


     É na interação que o sujeito aprende e ensina. Daí, podemos depreender a importância de se organizar o espaço escolar, mais especificamente o da sala de aula, para receber os alunos e proporcionar que haja meios de garantir esse estreitamento de vínculo. Conforme nos fala OLIVEIRA (1997), em seus estudos sobre o pensamento de VIGOTSKY:


     A interação face a face entre indivíduos particulares desempenha
um papel fundamental na construção do ser humano: é através da relação
interpessoal concreta com outros homens que o indivíduo vai chegar a
interiorizar as formas culturalmente estabelecidas de funcionamento
psicológico





     A vida social ocorre de maneira dinâmica, onde cada sujeito participa ativamente de seu meio estabelecendo uma relação entre o mundo cultural e o mundo interno de cada um. O conhecimento a respeito de todo esse universo cultural e particular se dá através das interações estabelecidas entre os indivíduos no meio social em que participam.


     Temos então que a maneira como é organizado o espaço em sala de aula reflete diretamente em como se dá essa interação e o trabalho pedagógico docente como um todo. É importante que a organização priorize aspectos indispensáveis para a construção da aprendizagem, tais como vivência da prática do diálogo entre
os indivíduos envolvidos neste processo.

     Para qualquer finalidade, é necessário que ambiente seja acolhedor e que motive a troca entre os alunos e professores, mas dependendo da situação específica, o espaço pode ser organizado de maneira diferente para atender a necessidade de forma mais pontual. Por exemplo, num momento de debate entre toda a turma, é interessante que as carteiras estejam dispostas em círculos para que todos possam olhar uns para os outros e terem a sua vez de expor seus pontos de vista. Deste modo, o debate fica mais face a face e a compreensão da ideia é favorecida já que é possível reconhecer no outro as expressões faciais, além da própria fala em si.




     Para a realização de atividades vivenciais é preciso uma adequada organização dos ambientes de estudo.

     Se o que se quer é favorecer o trabalho participativo e criativo dos alunos é preciso organizar o ambiente, móveis, mesas e cadeiras, dentre outros recursos, de modo que as atividades a serem desenvolvidas pelos grupos sejam implementadas de forma adequada, propiciando maior interatividade entre os sujeitos e entre eles e as mídias, cenários favoráveis para a construção de novos conhecimentos.



     Normalmente encontramos salas de aula estruturadas nos moldes tradicionais: carteiras ou cadeiras com braços, dispostas lado a lado na sala de aula, voltadas, é claro (...), para a lousa.

     A distribuição dos móveis nas salas de aula tradicionais segue geralmente o esquema apresentado a seguir:


Sabemos que a organização do espaço interior das salas de aula, apresentada no esquema anterior, reflete, sobremaneira, os paradigmas que embalaram, e ainda continuam embalando, uma educação calcada na massificação do ensino e disseminação da informação nem sempre social e politicamente contextualizada. É, por assim dizer, a escola da multiplicação: 1 para 40, 50 ou 100 – professor, alunos! Acredita-se que o conhecimento é “algo que pode e se deve passar”, daquele que sabe mais, para aquele que menos sabe... Eis o porque desta configuração arquitetônica da sala de aula.



     No entanto, se quisermos desenvolver vivências que permitam valorizar as dinâmicas de grupo, equipes de trabalho, devemos reorganizar o ambiente utilizando os recursos de que dispomos. Nem sempre é viável, de pronto, um investimento dedicado a uma nova arquitetura do ambiente escolar; então teremos de usar criatividade e, com a ajuda dos alunos e cooperação dos gestores da escola, improvisar o novo ambiente.



     A título de exemplo vamos apresentar uma nova configuração para a sala de aula que venha a propiciar um tipo de vivência diferenciada entre os estudantes e entre estes e o professor. Observemos o esquema a seguir:



     Cadeiras para cá, carteirinhas para lá, mesa reposicionada e pronto! Cada retângulo representa a aproximação de 3 a 4 alunos formando uma equipe de trabalho.



     Como podemos observar, através do segundo esquema, na nova configuração apresentada os alunos podem trabalhar em grupo e o professor realizar melhor sua ação, como mediador do processo, saindo da ingrata, infrutífera e desgastante posição centralizadora que normalmente ocupa perante os alunos.



     Sobre as novas bancadas criativas, nascidas da reorganização da sala, poderão ser disponibilizadas mídias de estudo. Um jornal ou revista, um globo terrestre, um microscópio, um plano inclinado, massa para modelar etc., poderão fazer parte do conjunto de mídias de apoio à educação. Até mesmo a mesa do professor, como podemos notar, sofreu uma alteração funcional servindo melhor como “mesa de apoio às atividades realizadas”, suportando o material complementar utilizado e outros recursos disponíveis.



     Do mesmo modo, sempre que a necessidade o exigir, o professor poderá reorganizar novamente o ambiente, momentos em que uma apresentação expositiva mais geral ou específica puder enriquecer a ação pedagógica dentro do qual vem se desenvolvendo um determinado processo. Isto significa que não estamos, em hipótese nenhuma, propondo abolir aulas expositivas, e sim torná-las efetivas nos momentos em que, de fato, puderem contribuir para o enriquecimento educacional dos estudantes, valorizando ainda mais o trabalho essencial do professor.



     Certamente que havendo a possibilidade de implementar uma Sala Vivencial a partir de um projeto arquitetônico inicial, em muito se ganharia em qualidade e dedicação do espaço tendo em vista as ações educacionais e pedagógicas a serem desenvolvidas. Mas, de qualquer modo, é praticamente imediato perceber que a mudança na organização das carteiras ou mesas já cria um outro ambiente de trabalho, propiciando uma nova e mais rica forma de relacionamento aluno-aluno e aluno-professor.



     Diante da perspectiva apresentada, repensar os processos pedagógicos é também repensar e criar uma nova arquitetura, dedicada a ambientes educacionais, formais e informais.

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