sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Invenção do Tempo Escolar




     No século XV a Europa o relógio representava o passar do dia, no começo ele despertou, muita desconfiança. Ninguém queria depender de uma máquina! A luz natural e sinos dividiam muito claramente o dia e a noite!
     Durante a Idade Média e um pouco da Idade Moderna, os homens costumavam regra o seu tempo por meio de outros referencias. Eles faziam a contagem através dos sinos da igreja e a passagem do tempo acontecia, muitas vezes, através da observação dos fenômenos naturais.
     A vida cotidiana anterior à Revolução Industrial era essencialmente agrária, com forte ligação ao cultivo da terra e à observação da passagem natural do tempo (estações do ano, período de chuva e seca etc.), cujo objetivo era prever períodos de escassez. A industrialização formou os grandes centros urbanos e exigiu uma dinâmica acelerada da vida cotidiana, nunca vista nas sociedades tradicionais. O uso de metais pela indústria pesada (metalúrgicas e siderúrgicas), tais como o ferro, possibilitou a criação de uma diversidade enorme de maquinários.
     A experiência de um cotidiano acelerado também se relaciona com a própria velocidade com a qual se inventam artefatos tecnológicos e, na mesma medida, outros tantos desses artefatos se tornam obsoletos. Podemos citar, por exemplo, dois dispositivos eletrônicos que eram considerados muito avançados há apenas vinte anos e que hoje se mostram ainda mais sofisticados. São eles: o telefone móvel (celular) e o computador pessoal.
     Da década de 1990, esses dois tipos de utensílios eram considerados de acesso limitado, devido ao preço elevado, relacionado ao seu grau de sofisticação. Hoje em dia, temos variações do computador pessoal, como o notebook e o ultrabook, mais leves, portáteis e velozes. Os telefones celulares contam hoje com serviço de internet, câmera fotográfica e filmadora digital, além de alguns outros dispositivos que nos poupam um tempo que seria gasto, por exemplo, se tivéssemos que efetuar uma ligação, em via pública, nos antigos telefones públicos (“orelhões”).


     Hoje em dia já dependemos da tecnologia, praticamente para tudo, e é visível a irritação com a queda da conexão de internet, ilustra a relação que há entre uma experiência acelerada de tempo (acesso rápido à internet) e uma expectativa frustrada que sempre é gerada pela falta imediata dessa facilidade.

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